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terça-feira, 17 de maio de 2011

O meu país...


Foi com tristeza que nesta breve visita a Portugal me deparei com tanta falta de esperança e quase desespero no povo Português. Quando até quem tem trabalho me pergunta como estão as coisas aqui e colocam a hipotese de emigrar, arrepia-me. Mesmo eu, sempre optimista e procurando manter a positividade em tudo o que faço e enfrento na vida, fico sem palavras.
Emigrar não é fácil. É dificil virar as costas à familia, aos amigos, aos locais que já conhecemos, ao Sr. José do café, à D. Maria da charcutaria. É dificil chegar a uma cidade imensamente maior do que a maior cidade Portuguesa, olhar para o mapa do metro como um burro para um palácio. É dificil pedir um café - Mas quer com leite? 1 ou 2 shots? Grande ou Pequeno? - oh meus amigos um café é um café!!!! Quem não fala Inglês na perfeição mas arranha está com sorte... no fundo não é muito diferente de grande percentagem dos habitantes de Londres que também vão arranhando com convicção para parecer que são fluentes. Quem não percebe inglês a coisa piora mas também não é dramático porque centros de saúde, "finanças", centros de emprego... todos estão preparados para solicitar tradutores sempre que necessário.
Porém é dificil estarmos por nosso conta e risco e o ideal é emigrar para algum país onde tenham alguém conhecido que vos possa apoiar nos primeiros tempo. Ninguém vive só!
Quem já está em Inglaterra há muitos anos vai dizendo que já foi mais fácil arranjar emprego. Porém, quem tem alguns conhecimentos da lingua e queira trabalhar, consegue, talvez não no emprego dos seus sonhos mas talvez a ganhar mais do que algum dia ganhou em Portugal.
Em todo o caso é bom ter em mente que o estilo de vida em Londres é diferente. Aqui são poucos os que compram casa, normalmente alugam. São poucos os que vivem em grandes mansões, normalmente um quarto, ou uma casa dividida com amigos, ou um studio... são optimas opções numa cidade onde as rendas são elevadissimas.
A sugestão que dou é: quem tem emprego pago a tempo e horas e consiga fazer face às despesas essenciais em Portugal, não deixe o conforto de conhecer o dono do café, de ir ao fim-de-semana "roubar" um almocinho aos pais, de sentir a areia debaixo dos pés cheirando a brisa do mar num dia solarengo de Inverno.
Se decidirem vir, saiam com coragem de enfrentar um mundo diferente, carregado de dificuldades e surpresas. E saiam com muita esperança, sem ela tudo fica muito mais dificil!

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Finalmente em Londres!

A viagem teve alguns contratempos mas tudo foi ultrapassado e hoje cá estou, finalmente com internet, finalmente num pequeno espaço com alguma privacidade... afinal é um começo e um começo é sempre dificil, tal como um fim...

Ainda não tive oportunidade de conhecer muito de Londres, andei agitadamente à procura de um espaço para viver e por agora o que encontrei e que posso pagar foi um quarto, mas é em casa de amigos por isso sinto-me quase como se estivesse em casa, entretanto com calma irei procurando algo melhor numa zona melhor (esta não me agrada nem um pouco).

Londres é de facto enorme, muita gente por todo o lado, quando pensamos estar sós aparece sempre mais alguém. É uma bonita cidade onde terei alguma dificuldade em não me perder já que não tem um traçado ortogonal como ao que estou habituada, mas felizmente nós, humanos, adaptamo-nos a tudo, tudo é uma questão de sobrevivencia.
Muitas culturas misturam-se, o governo procura agir de forma rigida por isso mesmo, há uma pluralidade racial como nunca encontrei noutras cidades por onde já passei. Não é fácil defenderem-se da anarquia senão com o rigor e exagero tipico dos Ingleses, agora entendo-os...

Estive a preencher os papeis para me registar num centro de saude e achei interessante fazerem questão de perguntar a raça, será por questões raciais ou meramente práticas e funcionais? Quero acreditar na segunda hipotese.
Sinto que esta avetura vai ser muito dificil mas vai durar a vida inteira... quero acreditar que sim!

terça-feira, 28 de julho de 2009

Ora bem...

... ando meio perdida com tanto que tenho para organizar e pensar e fazer e desfazer e antecipar e anular e adiar... e por aí fora!

Já avisei quase todas as pessoas mais importantes, falta só uma ou duas... é bom sabermos que gostam de nós e apenas querem o nosso bem, embora sentirão a minha falta como eu sentirei a deles. Uns gabam-me a coragem, outros sabem que poderá ser a melhor forma de chegar lá, onde os sonhos anseiam.

Sim, vou partir, na primeira semana de Setembro as malas ficarão prontas. O que me faz feliz? Não irei sozinha, irei com alguém que tem ganho espaço dentro de mim e da minha vida. Tristeza? Aqueles que ficam e que apenas os consigo levar no coração porque não cabem na minha mala.


Mas por incrível que pareça há uma saudade genuína que já dói e ainda não parti, como conseguirei eu viver 3 meses sem os meus gatos? Sim porque eu volto para os levar... e até lá?!

sábado, 13 de junho de 2009

As saudades que vou ter...

Cada dia que passa as certezas aparecem mais claras na minha cabeça.
As coisas não parecem querer mudar, a vida vai passando por mim e eu vou exigindo mais dela.... seria normal em tempos passados... mas até para sonhar há crise!

A verdade é que a crise persegue-me e em Portugal, infelizmente, não há espaço para mim e menos ainda para os meus sonhos, por isso começo a pensar que a solução é mesmo partir...

A dúvida instala-se, para onde? Espanha? Inglaterra? Suíça?... Inglaterra parece ser o destino mais provável!

Já comecei a pesquisar as ofertas de trabalho e fiquei impressionada, com a quantidade e com os valores (mesmo tendo em conta o custo de vida). Torna-se tentador o risco! Afinal, se tudo correr bem, é a realização de sonhos, a realização pessoal... chega mesmo a parecer perfeito, se não pensarmos nas saudades....

Saudades da família, dos amigos, do bom tempo, o pôr do sol, a Francesinha, o cozido à portuguesa, os doces regionais e conventuais, as mangas curtas e caveadas, as sandálias com os pés arranjados, a minha estéticistas, o meu cabeleireiro, a minha cadela Maggie (que ficaria com o dono), a música tuga a tocar no rádio, o Porto ao entardecer, passear no tabuleiro superior da ponte D. Luís I, o mar sempre a um passo, chegar a todo o lado a pé...

Os motivos para ficar são muitos mas sonhar custa caro!